O Teu descaso me deixou tão só diante de tantas outras ausências.Tentei erguer os olhos e ver o quanto do céu ainda me resta. Confesso, não me animei apenas pensei em tudo que nós resta.
Era o vazio me pregando peça. Eu sei, é que as vezes eu só queria que alguém dissesse: Chega! Não precisa mais seguir sozinha. Mas kd você pra me dizer q tudo isso vai passar!!!
Não dói porque você vai. Dói porque mais uma vez eu fico desamparada no meio do caminho quase acreditando que ser tia é uma missão divina. Não falo aqui de apelos sociais, de papéis a assumir. Que se foda tudo isso! Porque no fim a única pergunta sem resposta é onde está aquele que finalmente ficará.
Atravessei a ponte que nos separa. No ínicio acreditei que talvez indo embora virias para me impedir. Agora que estou aqui seguindo passo ante passo vejo que ainda carrego comigo essa esperança cega. Sinto-me agustiar, o que me faz imediatamente ratear pensando se aquilo seria mesmo necessário. É tão confortável me manter sentada a sua frente. Falo dos meus casos, problemas, questões, filosofo enquanto você ri. A reciprocidade desse movimento é tão verdadeiro quanto as notas de Real.
Penso se quero apenas isso. Uma troca justa em busca de ajustes sociais. Estou indo agora para não ver uma outra chegar ocupando teus dias e noites. Não suportaria te ver fazendo promessas.Logo essas, que por tantos dias esperei escutar. Preciso mesmo ir...seguir. Redefinir!
Já estive aqui...em outro tempo com um outro tão parecido, mas tão diferente. E sabe foi tão bom quanto agora, só não bastava. Sempre prezei por liberdade. Porque no fundo sei o quanto ser livre define o meu devir. Então, chegar até aqui e sentir que é preciso ir não seria drama. È uma necessidade tamanha de não me acostumar com esse tiquinho que podes me dar. Levo comigo o beijo partido, onde só os meus lábios tocaram tua carne... sentindo.Não dá para ser só um quando tudo que queremos é sermos dois. È sermos mais...
Deu um salto do sofá. Pegou suas roupas limpas separadas meticulosamente, se arrumou como se aquela fosse a última oportunidade para alcançar a abóbora gigante.Pintou os lábios, os olhos, a cara...Já com o corpo limpo se olhou no espelho trocando de roupa umas mil vezes antes de constatar que não tinha roupa. Nada lhe caia bem...nem a roupa, nem a estima, nem a vida.
Sentou-se na beira da cama com as mãos na cabeça apoiandas no joelho. Tentou se ferir com pensamentos lembrando de todas as vezes que iniciou sua vida amora daquela forma e nunca havia dado certo. Pensou em desistir. Pegou o telefone ensaiou escrever uma mensagem desmarcando aquele encontro. Não queria ter o trabalho de olhar alguém nos olhos e não se ver.
Vestiu-se de coragem, calçou os sapatos saindo de casa como uma tempestade. Entrou no primeiro ônibus, já estava atrasada, não queria fazer o outro esperar. Não curtia essa sensação, sabia que esperas eram sempre torturantes. ainda mais quando a espera envolvia o julgamento do outro sobre ela.
Apressou o passo, subiu as escadas correndo chegando esbaforida do outro lado da Estação. Enquanto descia a escada olhou nos olhos de quem lhe esperava e por um instante se sentiu completamente idiota por ter passado tanto tempo escolhendo o seu melhor...
Ela não era apenas o seu melhor, era também aquilo que havia de pior dentro dela...seus medos, seus desencantos. Pra porra quem não gostar. A demora em se arrumar não deveria nunca ser por um outro alguém. Deveria ser por ela, só por ela. a necessidade de ser enxergar não poderia estar condicionada a outros olhos, mas aos seus refletidos naquele bendito espelho que tanto lhe diz sobre tantas coisas. Mas nunca lhe dá a chance de ser apenas quem ela é...confusa, difusa, gorda, linda, sexy...santa.
"A placa de censura no meu rosto diz: Não recomendado a sociedade A tarja de conforto no meu corpo diz: Não recomendado a sociedade"
terça-feira, 29 de março de 2016
Fiquei pensando sobre toda essa história até aqui. Confesso que me vi chorar, sem entender o porquê. Uma vez ouvi você dizer que foi tudo tão rápido, tão singelo. Não entendia como aquilo havia me despertado tanto. Na hora, me senti encolher, desaparecer. Nunca esperamos que seja diferente a intensidade do nosso sentir para com o outro. Aquilo matou um boi e três bezerrinhos dentro de mim.
Fantasie, quem nunca!? Fiz de você uma pessoa melhor, porque gostar é isso... Fazer do outro, mesmo que seja apenas no imaginar, algo muito melhor. E tem suas vantagens, quando é reciproco a gente cresce mesmo, se faz melhor, as vezes até muda.
Mas... não houve amor, nem paixão...só uma fùria implacável entre nossos corpos. A sós no seu olhar me senti viva e pude desvendar os meus próprios véus. É uma pena te ver tão distante quando só queria te anoitear. É uma pena!
O que de mim restou perdido pelo chão?não, não foram cacos ou desilusão.Não posso te culpar ou me culpar por não ser essa sua projeção. Tô aqui de carne e osso, fazendo das tripas coração. Há de haver na imensidão dessa vida um outro alguém que não se preocupe com o tempo ou com a impossibilidade de sofrimento. Alguém que esteja disponivel asentir sem medo, sem culpa, que queira escreve uma história concisa. Chega, minha Gente! Chega de Haikais!
Era angústia, era medo, era tanta coisa dentro daquele olhar. As pessoas acreditam que càrcere é viver preso em algum lugar sob o julgo da força bruta, que ora marca a pele, ora mancha a alma. Mas ninguém está ileso. Nem quem fere, nem quem sofre. Sempre me pergunto... que direito impiedoso é esse de culpar o outro por sua própria covardia, pelos seu espanto, pela constatação monstruosa de que também faria o mesmo, sim tu és igual ao condenado. O que não sabes é que fazes bem pior tentando se livrar do peso, da dor, da morte, de ser...não só o carcereiro, mas o encarceirado no submundo dos afetos contraditórios.
Não conte, não fale, não denuncie a dor, a fome...Guarde no peito longe do que possa ser feito. Se for chorar, que seja embaixo do chuveiro onde as gotas de água ajudam a abafar o som da sua alma a agonizar. Apenas ignore, assim não piora. Uma hora tudo muda. O càrcere termina, a vida segue com suas ilusões. Mas saiba, as marcas nunca te deixarão...
Faz tempo que não volto a este lugar. Dizer que senti saudade seria uma mentira das grandes. Por algum tempo as paredes desse quarto não me pareciam suficientes para manter encarceirada essa minha vontade de liberdade. Por isso, precisei abrir mão de alguns hábitos. Nunca há a possibilidade de mudar e manter tudo em seu lugar. Na verdade, a mudança requer isso, essa desordem desprendida feito folha planando no vento. Fui embora porque precisei. Retorno porque também preciso. Não mais com a necessidade sombria de me esconder das dores. Agora com a leveza do compartilhar as histórias, os sonhos, as flores que hão de brotar dentro de mim. Já não sei se carrego o mesmo sorriso ou o mesmo olhar. Contudo, estou aqui pronta, disposta, prestes a iluminar o quartinho escuro,frio e ùmido que deixei para trás.
“Seja você quem for, agora, segurando a minha mão, sem uma coisa há de ser tudo inútil_ é um leal aviso que lhe dou, antes que continue a me tentar_ não sou aquele que você imagina, mas muito diferente. “
---Walt Whitman----